quinta-feira, maio 31, 2007

Sinais

No agitadíssimo fim-de-semana passado, durante um almoço com alguns familiares, num simpático restaurante, veio cumprimentar-nos, uma amiga da família da minha mulher, de quem me disseram um dia, ser praticante de swing, motivo pelo qual passou a ser por mim idolatrada. Já lhe achava bastante piada. É uma moça, um pouco mais velha que eu, bonita, pequenina como eu gosto e muito arranjadinha, mas depois de me terem contado tal boato passei a fã incondicional. Embora não acreditando muito naquela história procuro todos e quaisquer sinais que confirmem o boato e alimentem uma fantasia que crio para mim, sem qualquer tipo de maldade.

Aproveito para dizer que em mim morreu o boato, porque não alimento esse tipo de especulações sobre a vida privada de outras pessoas, concorde ou não com o que fazem, acredite ou não neles. Falo disso aqui, apenas porque estou coberto pelo meu anonimato. Não deixo, no entanto, de me divertir, comigo mesmo, pesquisando sinais e imaginando situações.

Foi por isso que achei piada, que nesse almoço, a amiga em causa, que me esqueci de dizer atrás, fala pelos cotovelos, tenha mantido uma conversa com as pessoas da minha mesa, debruçada sobre mim (para estar mais perto do restante pessoal) falando com a boca tão próxima da minha, em posição perpendicular, que lhe senti a frescura do seu hálito, mas de uma forma tão clara e demorada que acho, toda a gente reparou, inclusivamente a minha mulher que, mais tarde, se riu de tudo aquilo.

Ainda por cima falava de uma queimadura no peito que só não mostrou porque tinha acabado de pintar as unhas e não queria sujar-se. Ainda pensei em oferecer-me para ajudá-la, mas… deixei-me ficar quietinho.

Eu, claro, delirava com aquilo tudo. Estava no céu, vivendo aqueles segundos muito devagarinho, saboreando a magia do momento. Terá sido um sinal?

Pronto

A mente dos homens é muito simples, (às vezes até simples de mais) mas totalmente incompreensível para a maioria do universo feminino. Muitas vezes, assuntos que para nós não têm significado nenhum, puros devaneios, para uma mulher podem ser o início de um filme de terror. É por isso que, em grande parte dos casos, é melhor estar calado, e falar apenas com um teclado de um computador, do que arriscar criar uma tempestade a partir de um pingo de chuva.

Existe uma série de assuntos que apenas devemos discutir com o nosso melhor amigo e nunca, em caso algum, com a nossa mulher.

O problema é quando o nosso melhor e único grande amigo é a nossa mulher. Falamos com quem?

Encontrar um melhor amigo, assim de repente, não é fácil.

Mais fácil é criar um blog, onde se possa mandar para o ar um monte de babosices. Foi o que fiz.

Aqui escrevo tudo aquilo, que tenho necessidade de partilhar e que não digo à minha mulher, ou porque acho que ela não ia achar piada ou simplesmente porque acho que ela não compreenderia, isto é, não conseguiria ver as coisas do mesmo ponto de vista que eu. É que mesmo sendo amigos, namorados e casados, somos muito diferentes, na medida em que duas pessoas, que se amam, podem ser diferentes. (Ao contrário do Carlos Tê, eu acho que se ama alguém que não ouve a mesma canção.)

Esta conversa toda só para confessar que me tenho sentido algo inibido naquilo que escrevo, pelo facto de ter desenvolvido uma espécie de pudor virtual, consequência da regularidade de algumas visitas. Criei este blog para encher de baboseiras, tais como, estou mortinho para que chegue a época de praia para regalar os olhos no meio de uma imensidão de biquinis e seus recheios, mas assim, não digo. Pronto!

terça-feira, maio 29, 2007

Pura inocência

Diz uma tia a um sobrinho por afinidade (marido da sua sobrinha):
- A minha filha gostou muito de te ver. Disse tão bem de ti que se não fossem primos eu ia achar que havia ali algo mais.
:-))

sexta-feira, maio 25, 2007

Ai, ai…

“…os seios saltavam pontiagudos e as nádegas rolavam no vestido, porque os negros, mesmo quando estão andando naturalmente, é como se dançassem.”
Jorge Amado, in “Capitães da Areia”

No verão passado estive no Brasil e pude comprovar o que diz Jorge Amado. Foi das memórias mais fortes que de lá trouxe. As mulheres brasileiras, negras, mulatas e mesmo as brancas têm ritmo no corpo. Todo o seu movimento é cheio de contornos ritmados e muito sensuais.

Até já cá tinha falado disso, aqui.

Ai, ai… Do que eu me fui lembrar!

terça-feira, maio 22, 2007

Fui ao e-bay e...




Porra, que é caro!
Acho melhor continuar a ver videos. Pelo menos por enquanto.

Chiiiiça!!!

Já não tenho dúvidas 2


Clarinete (Sabine Meyer) 1ª part Allegro

E se restassem dúvidas, com este video já não havia nenhuma!
Vou ao e-bay.

Já não tenho dúvidas 1


Concierto Clarinete

Eu já desconfiava, mas agora já não tenho dúvidas.
É mesmo isto que quero!
Vou aprender a tocar clarinete.

segunda-feira, maio 21, 2007

A beleza na música


Foto: Orquestra Sinfónica da ESART em http://www.primaveramusical.blogspot.com/




Esta música é o Allegretto, da Sinfonia nº 6, em Fá Maior, a “Sinfonia Pastoral” de Ludwig van Beethoven. De toda a música clássica que conheço (e ainda não conheço muita coisa), esta é a minha preferida. Foi por isso que vibrei imenso, quando, na 6ª feira passada, ouvi a Orquestra Sinfónica da ESART, interpretar esta sinfonia.

Mais uma vez, confesso a minha admiração e o meu fascínio pelos músicos desta e de outras Orquestras. Chego mesmo a invejá-los, tal a beleza da sua arte, praticada de uma forma tão subtil, que quase nos esquecemos de como esta música pode ser complexa.

Durante o espectáculo, como não podia deixar de ser, fui observando os músicos. Procurei primeiro, a minha flautista favorita. Desta vez de calças, parecia menos sensual, mas igualmente bonita. Depois, procurei noutros naipes da orquestra, outras artistas, bafejados por inspiração divina, acabando por me tornar fã de algumas delas. Segui-as atentamente, admirando a beleza da arte em si e a beleza da sua arte.

Encantei-me por uma violoncelista de ar doce e meigo, por uma bonita violinista de aparência decidida e autoritária, por uma fagotista (será que é assim que se chama? aquele(a) que toca fagote?), simplesmente bonita e pela Concertina, primeira-violinista da orquestra, magnifica na sua liderança, e no seu olhar terno e seguro, e cujo motivo de encanto me recuso revelar.

Espero que eles saibam, como são privilegiados. Apesar do enorme esforço que sei que fazem, a arte nasce com as pessoas e quando esta não nasce, não há nada a fazer. Limitam-nos a ficar do lado de cá vendo e ouvindo. E já não é nada mau.

sexta-feira, maio 18, 2007

Música

Um apontamento cultural com este quadro de Pierre-Auguste Renoir tirado daqui: http://www.triplov.com/cyber_art/Pierre-Auguste-Renoir/pages/Mulher-tocando-guitarra_jpg.htm

Há uns tempos atrás fiz esta promessa.
E não é que, contra todas as probabilidades, acabei por cumpri-la? Só tem um pequeno problema. É que para a promessa estar cumprida na totalidade não chega a vontade, é preciso ter jeito e aí falhei um bocado.

Matriculei-me no conservatório, num curso de música, com aprendizagem de um instrumento, para adultos e desde Novembro que o frequento. Agora quase no final, já posso fazer uma avaliação.

1º - Em vez da guitarra, tinha escolhido clarinete, saxofone ou flauta transversal. Não houve alunos suficientes para nenhum desses instrumentos e por isso acabei por ir mesmo para a guitarra. São uma porrada de cordas e dedos. Uma confusão!

2º - As aulas de formação musical são muito boas. Aprendi música a sério, com pautas, claves, bemóis e sustenidos, conheci os truques dos compositores e abriu-me os horizontes musicais, através da música clássica. A professora é praticamente da minha idade, é muito simpática, tem uma paciência de santa e é agradável à vista. O problema é que temos que aprender aquilo muito bem aprendido para depois ser aplicado nas aulas de viola. Não basta ouvir, é preciso assimilar. E olhem que não é nada fácil distinguir as notas, as diferenças de tons e meios tons, as terceiras e a quartas, menores e maiores.

3º - As aulas de viola são pouco frequentes. O professor é bom, mas a diferença de nível entre os alunos torna as aulas pouco eficientes. O método de aprendizagem é bom e o professor está motivado e é muito esforçado. O problema é que nos estão a ensinar guitarra clássica, que é muito difícil. Andamos, andamos e ainda não sabemos tocar quase nada.

4º - A minha mulher inscreveu-se comigo nas aulas. Para mim foi uma surpresa e confesso que teria preferido frequentar o curso sozinho. Era um acto de amor. Eu tocava para ela e ela ficaria encantada com os meus dotes musicais. Em vez disso olho para ela e ela toca melhor que eu. Como marido perfeito, machão típico, irrito-me e amuo por vê-la tão desembaraçada com aquela quantidade enorme de dedos e cordas. Coisas de homens!

Mas na globalidade foi uma experiência positiva, embora esteja desejoso que termine. Vou ponderar bem a hipótese de, no próximo ano, me inscrever na Banda Filarmónica cá da terra, como clarinetista.

quinta-feira, maio 17, 2007

Parece que não estou...

..., mas estou.
Falta-me tempo.
Nunca mais chove!
32 graus?!
Já?

segunda-feira, maio 14, 2007

Ambiente de Trabalho



Na sequência desta minha vertiginosa queda no abismo da revelação de mim mesmo, e depois de uma foto da vista do meu local de trabalho e de outra minha, conduzindo o meu carro, exponho agora o meu “ambiente de trabalho”.

Uma árvore, para não variar. Das minhas, claro. Fotografada por mim.

Aproveito para desafiar outros blogers a exporem também o seu "ambiente de trabalho". O nosso "ambiente de trabalho" pode ser um espelho de nós próprios, não pode?

sexta-feira, maio 11, 2007

Piropo

Foto: www.geocities.com
Há uma música do último disco do Chico Buarque, (Disco: Carioca, Música: Outros Sonhos) que inclui, na letra, uns versos anónimos, de uma antiga música chilena. Segundo o Chico Buarque, esses versos são, um dos piropos mais infalíveis que se podem dizer a uma mulher. Ainda não tive oportunidade de o experimentar, porque sou casado e não posso andar por aí a espalhar piropos a torto e a direito, (embora algumas vezes me apetecesse (muitas vezes (quase sempre))). Posso mandar o piropo à minha mulher, mas acho que com ela, e apenas relativamente a mim, funcionam quase todos (espero eu).

Eu gosto dos versos, do resto da letra e da música. Também acho que é um bom piropo. Se a moça estiver “vai não vai”, acaba por ir, não tenho muitas dúvidas.

Aqui ficam os versos:

Sonhei que o fogo gelou
Sonhei que a neve fervia
E por sonhar o impossível,
Sonhei que tu me querias

Aqui fica a letra completa e a música:

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Outros Sonhos
Composição: Chico Buarque

Sonhei que o fogo gelou
Sonhei que a neve fervia
Sonhei que ela corava
Quando me via
Sonhei que ao meio-dia
Havia intenso luar
E o povo se embevecia
Se empetecava João
Se impiriquitava Maria
Doentes do coração
Dançavam na enfermaria
E a beleza não fenecia

Belo e sereno era o som
Que lá no morro se ouvia
Eu sei que o sonho era bom
Porque ela sorria
Até quando chovia
Guris inertes no chão
Falavam de astronomia
E me jurava o diabo
Que Deus existia
De mão em mão o ladrão
Relógios distribuía
E a polícia já não batia
De noite raiava o sol
Que todo mundo aplaudia
Maconha só se comprava
Na tabacaria
Drogas na drogaria
Um passarinho espanhol
Cantava esta melodia
E com sotaque esta letra
De sua autoria
Sonhei que o fogo gelou
Sonhei que a neve fervia
E por sonhar o impossível, ai
Sonhei que tu me querias

Soñé que el fuego heló
Soñé que la nieve ardia
Y por soñar lo impossible, ay, ay
Soñe que tu me querias.

A música é muito bonita, e eu gosto especialmente da flauta que acompanha a música personificando o “passarinho espanhol, que cantava a melodia, e com sotaque a letra de sua autoria”.

quinta-feira, maio 10, 2007

Voo

Fotógrafo: Eu
Modelo Fotográfico: Cegonha Salgueirinha

terça-feira, maio 08, 2007

E porque não?

Ao fim da tarde, aqui na minha cidade, as moçoilas gostam de se passear pelas avenidas novas. Em fato de treino, umas mais novas, outras mais velhas, caminham na esperança de retirar uns centímetros ao seu pneuzinho. Há quem chame à avenida, o passeio das gordas, mas eu, posso garantir, que muitas há, que não precisam de encolher nada.

Por outro lado os moços, seus namorados e maridos, preferem estar numa qualquer tasca, apinhada de homens, a beber cerveja e a comer tremoços.

E eu, onde prefiro estar?
No passeio, claro!

Ontem, enquanto corria a avenida "passeio das gordas" (de carro, claro), pensava que, quem montasse uma esplanada no meio da avenida, tinha o negócio feito. De certeza, estaria cheia de homens, sá a ver passar as moças.
Mas não achei boa ideia. Porquê partilhar aquilo que pode ser só nosso?
Pensei mais um bocado e... Eureka!

Lembrei-me que podia comprar um carrinho de venda de gelados, daqueles ambulantes, para vender no meio da avenida. Não venderia gelados, porque como é óbvio, provocariam o efeito inverso das caminhadas, mas venderia, isso sim, umas deliciosas saladas de frutas, em tacinhas de plástico, como vi em Barcelona, no mercado de La Boqueria. Eram, simplesmente irresistíveis. Daqui a um mês colocaria também à venda cubos fresquíssimos de melancia, em copos de plástico, como vi em Roma. Brilhante, não é?
Podia vender também umas águas e porque não também uns geladitos. Os acompanhantes das "passeadeiras", não têm culpa dos outros não poderem comer.

Era capaz de ganhar uns trocos e melhor, teria oportunidade de conhecer muita rapariga “simpática”.

Vou já apreçar os carritos.

segunda-feira, maio 07, 2007

Recomeço



O calor está de regresso e com ele dou inicio a mais uma campanha. Largo o computador e o conforto da minha salinha e começo a cultivar o meu bronze “pedreiro”, grande sucesso nas praias deste país. Gosto de trabalhar assim. Quando me começo a fartar, vem o Verão (ou o Inverno) e muda tudo de novo. E este ano estou com vontade. Espero que dure.

sexta-feira, maio 04, 2007

30 Seconds to Mars

Foto em: www.estadao.com.br

Tenho andado um pouco afastado da nova música internacional. Durante os últimos meses, desliguei-me um pouco da antena 3, a única rádio, pelo menos das que tocam aqui na minha zona, que vai tocando alguma coisa diferente e nova. Também perdi um bocado o contacto com os canais de música (MTV, MCM e VH1), farto de levar com bandas pré-fabricadas, rap’s e hip-hop’s.

Por isso fui apanhado de surpresa por este belíssimo grupo – 30 Seconds to Mars. Os gajos são muito bons. Por outro lado fico satisfeito por saber que continuo a gostar da mesma música que as minhas sobrinhas. Estava a ficar assustado! Já quase me chamavam “o tio cota”. É preciso é que apareça música de qualidade.

Quem quiser que ouça. Muito bom som.





Nota: Não coloquei nenhuma foto ilustrativa dos moços porque eles são muito feios. Escolhi antes uma foto de Marte. Melhor não é?

quinta-feira, maio 03, 2007

Perfil


Como prometido, actualizei o meu perfil com uma foto minha.
Sou eu na minha “pandeireta”, no meu trajecto diáriode casa para o trabalho e do trabalho para casa. Uma hora por dia. O meu local de retiro forçado. Eu, os meus CD’s e a paisagem campestre. Condições ideais para mergulhar em meditações, às vezes profundas, das quais nascem muitas vezes temas aqui para o blog. Por isso escolhi esta foto. Para além disso, acho que uma mão pode dizer muito sobre uma pessoa. Bem sei que assim numa foto deste tipo é um pouco difícil, mas de qualquer forma…
A ideia da estrada a perder de vista serve para simbolizar a vida, que de certa forma é como uma viagem (não devo ser o primeiro a fazer esta metáfora, por isso que me perdoem os seus inventores), e que também ser quer a perder de vista.

A minha laranja

Imaginemos que eu sou como uma laranja, constituído por gomos muito juntinhos dentro de uma casca. Cada um dos gomos representa um estado...